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30 de maio de 2014

Copa 2014: Ronaldo volta a criticar governo e legado da Copa do Mundo


Ex-jogador, membro do COL, disse que agora fala mais com o ex-presidente FHC do que com Lula


Do R7

O ex-atacante Ronaldo, em sabatina realizada nesta quinta-feira (29) pela Folha de S. Paulo, na capital paulista, reafirmou seu sentimento de vergonha em relação aos atrasos na Copa, criticando diretamente o governo federal pela situação.



Para o Fenômeno, que fez as críticas como membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014, o maior problema nem é em relação à construção dos estádios, mas à falta de legado para a população.

Eu sinalizei principalmente as obras de infraestrutura e não exatamente os estádios. Quis dizer as obras que ficariam de legado para a população. Os estádios eram exigência principal da Fifa para fazer a Copa. Os estádios estão quase todos terminados, mal ou bem, vão estar prontos. Como eu disse para a Reuters, a minha vergonha é pela população que esperava realmente esses grandes investimentos, esse grande legado de Copa do Mundo para eles mesmos, para população: reformas de aeroportos, mobilidade urbana. Tudo que foi prometido e não foi entregue. Tem estatística, é noticiado, 30% só vai ser entregue para a Copa do Mundo, essa é minha preocupação, minha vergonha. Maior prejudicado é a população.

O ex-jogador não considera que a realização da Copa no Brasil seja a responsável pelas mazelas e pelos problemas de infraestrutura do Brasil. Para ele, a Copa foi a vítima de um cenário que há tempos apresenta problemas.

— Não podemos esquecer do país que vivemos. O brasileiro também tem uma memória muito curta. Parece que antes da Copa do Mundo, a saúde, educação, segurança eram perfeitas. A Copa do Mundo é uma grande vítima disso tudo. A grande pena é que tudo que foi prometido antes da Copa do Mundo não será entregue.


Segundo o jogador, o grande responsável pelos atrasos foi o governo, que falhou ao não planejar adequadamente os preparativos para o evento.

Acho que o faltou foi planejamento para que tudo que foi prometido fosse entregue. O país foi eleito para receber a Copa em 2007. Tinha tempo para entregar tudo que foi prometido. Mas agora tem uma série de falta de informação para a população. A Copa do Mundo não veio para resolver nossos problemas. Quem tem que resolver os nossos problemas somos nós mesmos. A Copa do Mundo veio para ser uma grande festa para a população brasileira.

Ele fez questão de desvincular suas queixas à preparação para o Mundial de um eventual apoio a Aécio Neves, candidato à presidência do Brasil pelo PSDB, partido que faz oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff.

Eu sou amigo do Aécio. Falei na entrevista, desde 2000, quando apoiei ele na campanha ao governo do Estado de Minas. De lá para cá, somos amigos. E o que falei é que meu voto é dele. Não sei nem porque declarei o meu voto. Não sou ligado a nenhum partido. Eu apoio meus amigos. O Andrés vai sair para deputado federal e vou apoiar ele. E ele vai sair pelo PT. Eu tive a sorte de conviver com ele, conhecer o caráter dele. E por isso meu voto é dele.

Ronaldo admitiu que sempre foi próximo ao ex-presidente Lula, mas que não tem contato com Dilma Rousseff. Ressaltou até que interage mais com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do que com os petistas.


Eu era amigo do Lula. Não tenho partido, tenho amigos. Também era muito amigo do Fernando Henrique, mas gostava de passar tempo com o Lula, acho ele um cara incrível. Com a Dilma, não tenho relação. Vai ver que é porque a Dilma não bebe uma cachaça, como eu bebia com o Lula.  Eu perdi contato com ele. Nesta correria, ele está tomando conta da saúde. Hoje falo mais com o Fernando Henrique.

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26 de maio de 2014

Copa 2014: Será que querem sufocar o grito da torcida?






'Determinados setores parecem desejar o fracasso da Copa, como se disso dependessem as suas chances eleitorais', disse o ex-presidente Lula, num artigo publicado recentemente


 "Na verdade, não é fácil superar o “complexo de vira-lata”. Fomos colônia por mais de 320 anos, e a pior herança dessa condição é a persistência da mentalidade colonizada de servidão voluntária…", disse o ex-presidente Lula, num recente artigo sobre a Copa de 2014.

No mesmo texto, Lula afirmou que a Copa é hoje um dos elementos-chave na sucessão presidencial de 2014. "Recentemente, a Copa do Mundo tornou-se objeto de feroz luta política e eleitoral no Brasil. Á medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro, os ataques ao evento tornam-se cada vez mais sectários e irracionais. As críticas, naturalmente, são parte da vida democrática. Quando feitas com honestidade, ajudam a aperfeiçoar a preparação do país para esse grande acontecimento esportivo", afirmou. 

"Mas determinados setores parecem desejar o fracasso da Copa, como se disso dependessem as suas chances eleitorais. E não hesitam em disseminar informações falsas que às vezes são reproduzidas pela própria imprensa internacional sem o cuidado de checar a sua veracidade. O país, no entanto, está preparado, dentro e fora de campo, para realizar uma boa Copa do Mundo – e vai fazê-lo."

Coincidência ou não, o fim de semana foi marcado pela discussão do complexo de vira-latas, depois que Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local, se disse "envergonhado" com os atrasos da Copa e duas revistas semanais – Veja e Época – circularam com capas derrotistas, que disseminam uma imagem negativa do País. Além disso, o site do jornal O Globo publicou uma enquete para checar se os brasileiros também se sentem envergonhados, assim como Ronaldo.

R7



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25 de maio de 2014

COPA 2014: Dilma fica surpresa com críticas de Ronaldo a atrasos


As pessoas próximas, a presidente demonstrou "contrariedade" com as declarações do ex-jogador


Erich Decat e Tânia Monteiro

Ronaldo: ele ocupa posto de destaque no Comitê da Copa desde 2011
Brasília - A presidente Dilma Rousseff ficou "chateada" e "surpresa" com as críticas do ex-jogador Ronaldo Fenômeno aos atrasos das obras para a Copa do Mundo que se inicia no próximo dia 12 de junho.

A pessoas próximas, Dilma demonstrou "contrariedade" com as declarações consideradas "despropositadas" do ex-atacante, que ocupa posto de destaque no Comitê Organizador da Copa (COL) desde 2011.

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Mesmo com o mal-estar causado, a ordem no Palácio do Planalto, neste primeiro momento, é não polemizar nem rebater publicamente as críticas de Ronaldo, considerado "fora de moda", mas com uma história no universo do futebol. "Ele que fale o que quiser", disse um auxiliar presidencial.

As críticas de Ronaldo ocorrem após o ex-jogador ter postado, em abril, foto em uma rede social na qual chamou de "futuro presidente do Brasil" o candidato presidencial tucano e senador Aécio Neves (MG).

Na avaliação interna do governo, se fosse para ter alguma resposta, deveria partir do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, considerado "pai da criatura" e apontado como padrinho da indicação do ex-atacante ao COL, à época comandado pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Parte do governo viu na atitude de Ronaldo, embora considerada "ingrata", uma forma de responder aos críticos por sua postura amena com o governo. O ex-companheiro e hoje deputado Romário Farias (PSB-RJ) e o escritor Paulo Coelho criticaram a posição de Ronaldo de forma veemente.

Desde que assumiu o posto no COL, Ronaldo se tornou um dos principais garotos-propaganda do Mundial, participando de vários eventos dos jogos realizados nas cidades-sede e no exterior. Em fevereiro, Dilma, por exemplo, entregou ao Papa Francisco, bola assinada pelo ex-atacante em evento em que a petista pediu apoio ao pontífice para a divulgação de mensagens de paz e de luta contra o preconceito durante a Copa.


COPA 2014: Ronaldo chutou contra próprio gol ao criticar Copa, diz Aldo



O ministro do Esporte lembrou que o ex-jogador é membro do Comitê Organizador Local



Brasília - O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou neste sábado que Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, marcou um "gol contra" ao criticar duramente os atrasos nas obras e dizer que se sentia "envergonhado" pela organização do torneio.
"A frase dita pelo Ronaldo, tomada de forma isolada, é um chute contra o próprio gol, já que ele foi parte do grande esforço para construir a Copa do Mundo", disse Rebelo no site do Ministério de Esportes.

Para Rebelo, "não só o Ronaldo, mas todos os brasileiros e turistas estrangeiros que vierem nos visitar terão orgulho, e não vergonha".

Por sua vez, em discurso no 17º Congresso da União da Juventude Socialista, a presidente Dilma Rousseff defendeu a organização do Mundial, mas não fez menção às declarações de Ronaldo.


"Tenho orgulho das nossas realizações, não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues se referindo aos eternos pessimistas de sempre", declarou a presidente.